O lugar da informalidade e do imprevisto na pesquisa científica: notas epistemológicas, metodológicas e éticas para o debate

Mariana Barcinski

Resumo


A partir de um relato de experiência sobre o trabalho de campo em uma unidade prisional feminina, o presente artigo tem como objetivo discutir o lugar ocupado pela informalidade no processo de pesquisa. O argumento central é que as orientações do método científico – especialmente sobre a neutralidade e a objetividade necessárias à condução de protocolos rígidos de coleta e análise de dados – têm recorrentemente se configurado em obstáculos à consecução da pesquisa social qualitativa. Para além da rigidez das diretrizes metodológicas apontadas como adequadas ao referido método, a informalidade das relações estabelecidas no campo nos convida igualmente ao debate acerca das questões éticas que envolvem a pesquisa com seres humanos. O presente relato ilustrará a forma como a abertura à informalidade e ao imprevisto próprios do campo se configura em ferramenta essencial para a realização de pesquisas sensíveis às realidades concretas dos indivíduos investigados.


Palavras-chave


informalidade; imprevisto; método científico; sistema prisional; pesquisa social



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