Crueldade e álibi na técnica psicanalítica. Uma leitura da carta de Derrida aos psicanalistas.

Gabriel Inticher Binkowski

Resumo


Mais de quinze anos após a conferência de Jacques Derrida durante os Estados Gerais da Psicanálise em Paris, um retorno ao texto deixado pelo filósofo amigo da psicanálise nos impõe uma leitura da crueldade como um fenômeno político e psíquico elementar da subjetividade. Pensada como uma pulsão, a noção de crueldade proposta por Derrida faz referência às proposições de Artonin Artaud de um “teatro da crueldade”, no qual a cena não mais se encontra submissa ao texto ou à vontade de um deus-autor, não sendo apenas uma representação de uma cena escrita. Derrida apela aos psicanalistas por um trabalho sem álibi sobre essa noção de crueldade e suas implicações no que diz respeito aos próprios efeitos da pulsão de morte na psicanálise. Aí nos deparamos também com um convite a pensar a noção de técnica psicanalítica. Esta nasce a partir de um trabalho sobre uma cena sempre outra, inconsciente, de outra ordem, uma cena que assinala uma outra economia do desejo. A técnica deve assim ser concebida como uma ferramenta sem álibi para que contornemos as resistências que nos impedem precisamente de encarar as consequências da presença da pulsão de morte na vida psíquica.


Palavras-chave


pulsão de morte; crueldade; álibi; psicanálise; técnica