O automatismo mental na obra psiquiátrica de Clérambault

Marco Antonio Gasparetto, Mário Sérgio Ribeiro, Richard Theisen Simanke

Resumo


O objetivo principal deste trabalho foi o de fazer um levantamento histórico sobre a construção do conceito de Automatismo Mental por meio de revisão bibliográfica das conferências e artigos originais defendidos e apresentados por Gaëtan Gatian de Clérambault. Inicialmente considerado como um pensador anacrônico e marginal, sobretudo por ter privilegiado um constitucionalismo estreito em relação ao dinamismo que cada vez mais exercia sua influência sobre a Psiquiatria da época, o interesse sobre sua produção foi resgatado após as reverências que lhe foram feitas por seu ex-aluno Jacques Lacan. Compreendidos por Clérambault como os primeiros sinais da psicose, os sintomas do Automatismo Mental foram por ele caracterizados por serem mecânicos, atemáticos e anideicos, explicáveis apenas por meio de um processo orgânico inicial. Ainda assim, a formulação de Clérambault atingiu o pensamento de Lacan e possibilitou-lhe construir uma doutrina sobre o fenômeno elementar, cuja concepção se constituiu num dos pilares fundamentais da concepção lacaniana sobre a psicose. Em conclusão, pode-se afirmar que: a) a retomada desse tema pela via da Psicanálise impediu que as importantes descrições psicopatológicas contidas na Síndrome, desenvolvida por Clérambault, tivessem sido sepultadas; e b) que a Síndrome do Automatismo Mental merece, por ela mesma, um lugar de destaque na história do pensamento psiquiátrico.


Palavras-chave


Automatismo Mental. Clérambault. Psiquiatria. Psicanálise. História.

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