A História da Psicanálise em Porto Alegre

Ana Maria Gageiro, Sandra D. Torossian

Resumo


Este artigo trata da história da psicanálise em Porto Alegre desde a chegada das ideias freudianas, por intermédio de seus precursores e pioneiros, tanto pela via médica quanto literária. Ressaltamos a aproximação geográfica com a Argentina tendo importante influência no cenário psicanalítico local desde seus primórdios, sobretudo nas primeiras gerações de psicanalistas formados pela Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA) quanto na segunda metade dos anos 1970 com a chegada dos lacanianos argentinos fugidos da ditadura militar naquele país. Além do campo ipeísta, tratamos da movimentação em torno da psicanálise promovida pelos psicólogos formados nos cursos de Psicologia da capital com forte tradição psicanalítica no trabalho de consultório. Somados aos lacanianos e aos demais excluídos da formação oficial, reforçaram o contingente daqueles que passaram a defender e praticar a análise profana. Nesse cenário, a hegemonia da SPPA entra em declínio dando origem a uma segunda afiliada da IPA, a Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre (SBPPA). A tradição da clínica com fundamentação na psicanálise é forte na cultura porto-alegrense, estendendo-se para o campo da saúde mental, assistência social e saúde coletiva. É a partir do final da década de 1990 que os concursos para psicólogos em âmbitos municipal, estadual e federal se ampliaram e esses profissionais passaram a trabalhar com as políticas públicas na saúde mental, assistência social e educação, tendo o desafio de colocar a psicanálise em diálogo com novas ferramentas conceituais e de trabalho para a incorporação das políticas de seguridade social. Na mesma medida em que esses profissionais passam a ser desafiados a que a psicanálise possa interpelar os sujeitos em sofrimento nesses diversos campos, passam eles também a tensionar as instituições psicanalíticas no sentido de pensar a clínica e a intervenção social em múltiplos contextos.

Palavras-chave


História; Psicanálise; Porto Alegre; políticas públicas.

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