Entre barões e porões: Amílcar Lobo e a psicanálise no Rio de Janeiro durante a ditadura militar

Luiz Eduardo de Vasconcelos Moreira, Lucas Charafeddine Bulamah, Daniel Kupermann

Resumo


Pretende-se, neste artigo, uma análise crítica do “caso Amílcar Lobo” – médico que atuou em equipe de tortura do Exército durante a ditadura militar no Brasil, estando, simultaneamente, em formação psicanalítica na Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro (SPRJ). Tomando o caso como “analisador” do processo de institucionalização da psicanálise, demonstra-se de que maneira as sociedades psicanalíticas filiadas à Associação Psicanalítica Internacional (IPA) – naquele contexto da história do nosso País – foram coniventes com o regime de exceção instaurado, bem como com as práticas de tortura então vigentes. Em seguida, problematiza-se, por meio de uma pesquisa acerca dos efeitos transferenciais produzidos pelo modelo padronizado de formação psicanalítica, de que modo o movimento psicanalítico se encontra implicado na produção do “caso Amílcar Lobo”.

Palavras-chave


História da Psicanálise; Formação do Psicanalista; Transferência; Instituições Psicanalíticas; Ditadura.

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