O(a) docente como tradutor(a) e elástico: uma experiência sobre a transmissão da psicanálise na universidade
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5346Resumo
Transmitir a psicanálise na universidade está em discussão desde seu primórdio. A educação e a psicanálise se encontram no axioma clássico freudiano: educar, governar e psicanalisar são profissões impossíveis. Assim sendo, este artigo tem como intuito refletir sobre a postura do(a) docente em sala de aula, no ensino da psicanálise na universidade, alicerçado em um relato de experiência de uma estagiária docente. A disciplina em que foi realizado o estágio tem como título “Constituição do Sujeito Psíquico” e pertence à graduação de psicologia de uma universidade no sul do Brasil. A metodologia do artigo é um relato de experiência narrativa fundamentada na investigação psicanalítica em forma de ensaio. A convergência entre experiência, práxis e teoria tecem este ensaio. Para isso, são retratadas duas posturas possíveis do(a) docente em relação à transmissão da psicanálise na universidade. Inicialmente, discute-se, com o auxílio de Walter Benjamin e Jacques Derrida, a metáfora do(a) docente como tradutor(a). Posteriormente, na segunda parte da discussão, pensa-se o(a) docente como elástico, para isso, utilizando como subsídio os principais autores: Paulo Freire e Sándor Ferenczi. Essas posturas surgiram como reflexo da experiência de estágio docente e mostram a construção de possíveis caminhos de transmissão da psicanálise na universidade no cenário contemporâneo. As posturas pensadas não são excludentes, pelo contrário, confluem.