As sequelas psíquicas da escravatura, o gozo superegoico e seu retorno na cultura

Autores

DOI:

https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5424

Resumo

O artigo parte do pressuposto das sequelas psíquicas da escravatura para explicar sua transmissão geracional, que acontece via discurso do Outro e nos chega por meio do casal parental. Nossas memórias individuais, fruto da memória social, são compostas por narrativas impregnadas do mito negro, em cujo núcleo encontram-se os resquícios da escravatura. Na vida psíquica do sujeito, pode ocorrer a negação do traço negro, devido à interpretação que ele faz do que é admirável na nossa cultura: o branco. O estudo foi composto por revisão bibliográfica e análise de casos divulgados na mídia. As sequelas são: inferioridade pessoal, discriminação por cor, divisão comunitária e liderança. As memórias manipuladas para a manutenção dos privilégios da branquitude corroboram a negação do traço, uma vez que a pessoa se aliena pelo discurso do Outro. O traço negro pode ser percebido como desagradável e projetado como hostil na cultura, o que faz com que a hostilidade seja direcionada, também, para o próprio sujeito detentor do traço negro. Esse é um terreno fértil para a atuação superegoica e seu gozo desmedido, manifestando-se em atos, palavras ou apoio à destruição da negritude.

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Biografia do Autor

Marcela de Souza Rocha, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Psicóloga. Doutoranda em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestra em Memória Social pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Especialista em Psicopatologia, Psicanálise e Clínica Contemporânea pelo Instituto ESPE (Ensino Superior em Psicologia e Educação). 

Francisco Ramos de Farias, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Psicólogo. Pós-Doutorado pela Université de Paris — SHS Sorbonne (2022). Doutor e mestre em Psicologia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Especialista em Psicologia Clínica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor titular da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), do Departamento de Fundamentos da Educação e do Programa de Pós-Graduação em Memória Social. Consultor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Assessor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Nilda Martins Sirelli, Universidade Federal Fluminense

Psicanalista. Pós-Doutorado do Programa de Pós Graduação em Teoria Psicanalítica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em andamento. Professora da Universidade Federal Fluminense (UFF). 

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Publicado

17-09-2026

Como Citar

Rocha, M. de S., Farias, F. R. de, & Sirelli, N. M. (2026). As sequelas psíquicas da escravatura, o gozo superegoico e seu retorno na cultura. Analytica: Revista De Psicanálise, 15(29). https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5424