As sequelas psíquicas da escravatura, o gozo superegoico e seu retorno na cultura
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5424Resumo
O artigo parte do pressuposto das sequelas psíquicas da escravatura para explicar sua transmissão geracional, que acontece via discurso do Outro e nos chega por meio do casal parental. Nossas memórias individuais, fruto da memória social, são compostas por narrativas impregnadas do mito negro, em cujo núcleo encontram-se os resquícios da escravatura. Na vida psíquica do sujeito, pode ocorrer a negação do traço negro, devido à interpretação que ele faz do que é admirável na nossa cultura: o branco. O estudo foi composto por revisão bibliográfica e análise de casos divulgados na mídia. As sequelas são: inferioridade pessoal, discriminação por cor, divisão comunitária e liderança. As memórias manipuladas para a manutenção dos privilégios da branquitude corroboram a negação do traço, uma vez que a pessoa se aliena pelo discurso do Outro. O traço negro pode ser percebido como desagradável e projetado como hostil na cultura, o que faz com que a hostilidade seja direcionada, também, para o próprio sujeito detentor do traço negro. Esse é um terreno fértil para a atuação superegoica e seu gozo desmedido, manifestando-se em atos, palavras ou apoio à destruição da negritude.