Violência e pulsão de morte: um estudo das vivências de infratores presos
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5483Resumo
Na perspectiva psicanalítica, a violência pode ser compreendida como manifestação da pulsão de morte, articulada a conflitos intrapsíquicos e à destruição do objeto como forma de redução da tensão psíquica. O presente estudo teve como objetivo articular o conceito de pulsão de morte à vivência relatada por homens privados de liberdade que cometeram homicídio ou tentativa de homicídio, bem como compreender o fenômeno da violência a partir do referencial psicanalítico. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo, realizada com 12 homens, entre 18 e 60 anos, privados de liberdade por homicídio ou tentativa de homicídio. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas, sendo os dados analisados mediante Análise de Conteúdo Temática. Foram identificados dois núcleos temáticos: “Comportamentos agressivo-violentos antes do crime” e “Homicídio: elementos psicanalíticos”. Os resultados indicaram que os participantes compreenderam o ato criminoso como um momento marcado pelo descontrole emocional, pela impulsividade e pela ausência de reflexão consciente acerca dos próprios atos, frequentemente associado à ira intensa. Evidenciaram-se, ainda, sentimentos posteriores de culpa e arrependimento, além de relações entre violência, sofrimento psíquico e pulsão de morte. Conclui-se que a violência pode operar, inconscientemente, como forma de descarga de tensão psíquica e tentativa de redução do desprazer.