Tinta de sangue em fleuma de papel: uma revisão psicanalítica sobre o uso catártico da poesia confessional pós-Segunda Guerra Mundial
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5624Resumo
O objetivo geral deste trabalho foi buscar analisar, pelo viés psicanalítico da sublimação, como o gênero literário da poesia confessional apresentou-se no cenário do fim da década de 1950, investigando a narrativa poética contida no limiar entre o eu autor e o eu lírico, os contextos psicossociais que circundaram a criação das suas obras e de como eles manifestaram-se nessas produções mediante artifícios linguísticos, promovendo catarse do conteúdo traumático. Para tanto, realizou-se revisão narrativa da literatura nas bases de dados digitais Periódicos Capes e SciELO e de material físico (artigos, revistas etc.), em conjunto à análise psicocrítica da obra Ariel (1965), da poeta confessionalista Sylvia Plath, integrando a poesia confessional, a psicanálise e a psicocrítica literária com o panorama operacional criativo no Zeitgeist do pós-guerra. Concluiu-se que houve de fato uma concepção poética por meio da sublimação do material traumático vivencial da escritora, a partir do uso de significantes explícitos e implícitos relacionados às Duas Grandes Guerras — interconectando a contextura psicossocial da sua época à barbárie desse imaginário marcial. Todavia, constatou-se a necessidade de mais pesquisas para ampliar a perspectiva sobre quais mecanismos alternativos e aparatos específicos foram tomados por outros confessionalistas para lidar com o impacto sondado.