Escutar estátuas: dispositivo clínico, memória e escuta territorial na Praça Marechal Deodoro
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5660Resumo
Este artigo analisa a Praça Marechal Deodoro, localizada na região central da cidade de São Paulo, e seus monumentos em articulação com a escuta de sujeitos em situação de rua. O objetivo desta escrita é investigar como a memória e traumas coletivos inscritos nas estátuas reaparecem na experiência psíquica desses sujeitos. O método consistiu na criação de um dispositivo clínico de escuta territorial, realizado desde 2020 por psicólogos, estudantes e psicanalistas em formação em ações quinzenais na praça. A prática combina distribuição de doações com oferta de escuta, inspirada na associação livre e orientada pela noção de escuta territorial como investigação das formas de habitar o espaço urbano. Os resultados mostram que os monumentos condensam narrativas do passado escravocrata e que esse retorno traumático se atualiza na situação de rua, configurando um sintoma social passível de elaboração clínica.