Escutar estátuas: dispositivo clínico, memória e escuta territorial na Praça Marechal Deodoro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5660

Resumo

Este artigo analisa a Praça Marechal Deodoro, localizada na região central da cidade de São Paulo, e seus monumentos em articulação com a escuta de sujeitos em situação de rua. O objetivo desta escrita é investigar como a memória e traumas coletivos inscritos nas estátuas reaparecem na experiência psíquica desses sujeitos. O método consistiu na criação de um dispositivo clínico de escuta territorial, realizado desde 2020 por psicólogos, estudantes e psicanalistas em formação em ações quinzenais na praça. A prática combina distribuição de doações com oferta de escuta, inspirada na associação livre e orientada pela noção de escuta territorial como investigação das formas de habitar o espaço urbano. Os resultados mostram que os monumentos condensam narrativas do passado escravocrata e que esse retorno traumático se atualiza na situação de rua, configurando um sintoma social passível de elaboração clínica.

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Biografia do Autor

Noam Rafael Kramer, Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP)

Psicólogo clínico, Psicodramatista pelo Instituto Sedes Sapientiae e Psicanalista pelo Centro de Estudos Psicanalíticos. Pesquisador no grupo “Diálogos da Diáspora: Racismo e Antissemitismo” (Labô/Fundasp) e Postgraduate Fellow no London Centre for the Study of Contemporary Antisemitism. Ex-coordenador do dispositivo clínico O Cool das Clínicas, destinado a pessoas em situação de rua na Praça Marechal Deodoro. 

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Publicado

17-09-2026

Como Citar

Kramer, N. R. (2026). Escutar estátuas: dispositivo clínico, memória e escuta territorial na Praça Marechal Deodoro. Analytica: Revista De Psicanálise, 15(29). https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5660