Comunistas e surrealistas: estudo sobre a recepção política da tese de Jacques Lacan
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5716Resumo
A tese de doutoramento em medicina de Jacques Lacan, Da Psicose paranoica em suas relações com a personalidade, publicada em 1932, foi lida e comentada por integrantes dos movimentos comunista e surrealista antes de receber atenção dos campos médico e psicanalítico. Neste artigo, analisamos a recepção política da tese de Lacan no período de sua publicação, entre 1932 e 1933, composta de três textos: “Notes de lecture”, de Paul Nizan; “Compte rendu de lecture”, de Jean Bernier; e “Notes en vue d’une psycho-dialectique”, de René Crevel — todos de 1933. Constatamos que esses textos foram escritos da perspectiva do materialismo histórico e tenderam a ler as proposições lacanianas como uma espécie de crítica da ideologia nos campos do estudo científico da subjetividade. Nesse sentido, tentamos formular a hipótese de que a recepção política de sua tese teria sido parte dos fatores que influenciaram alguns dos encaminhamentos teóricos de Lacan, especialmente a elaboração de sua teoria da constituição imaginária do Eu.