Lógica monogâmica e restrição subjetiva: pensando o cuidado exercido por mulheres brancas heterossexuais ocidentais
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5718Resumo
Nesse trabalho, com a ajuda de teorias psicanalíticas clássicas e contemporâneas, bem como de autoras feministas, situaremos a monogamia dentro de um contexto sócio-histórico-cultural, para que possamos discuti-la a partir de uma perspectiva crítica. Partindo de um resgate histórico, pretendemos mostrar que as reverberações da monogamia são distintas aos diferentes gêneros. De maneira mais específica, objetivaremos analisar quais são as suas implicações singulares para a subjetividade de mulheres, especialmente brancas heterossexuais ocidentais. Como veremos, a monogamia é mais esperada de mulheres quando comparadas aos homens, e sua lógica de exclusividade parece posteriormente se desdobrar em uma grande restrição das possibilidades de investimento afetivo, que ficam limitadas prioritariamente ao cuidado do outro. Para essa discussão, faremos uma articulação entre lógica monogâmica e o trabalho de cuidado, pensando em seus impactos na constituição psíquica de crianças brancas identificadas como meninas e, posteriormente, na sua vida adulta.