Psicanálise e saberes não hegemônicos: clínica de multidões de minorias a partir de escutas situadas
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5725Resumo
Decorrente da importância de um espaço de escuta e terapêutico que não seja violento e segregador, objetiva-se empreender encontros e diálogos teóricos com uma prática clínica implicada na e perpassada pela interseccionalidade a partir da articulação entre psicanálise e saberes não hegemônicos, tais como os decoloniais, queer e feministas. Para tanto, desenvolveu-se uma proposta teórica que considerou a posição do psicanalista em seu trabalho de escuta de identidades socialmente subalternizadas. Parte-se do pressuposto de que uma prática clínica no âmbito da saúde mental deve assumir os marcadores sociais de gênero, raça, classe, entre outros, no que tange à interlocução do campo com a perspectiva interseccional. Dessa forma, o artigo contribui para o campo psicanalítico ao articular a escuta clínica e os saberes não hegemônicos como proposta para sustentar uma escuta ético-política que permite à psicanálise situar-se em relação às dimensões sociais do sofrimento psíquico. Ademais, conclui-se que a articulação entre psicanálise e saberes não hegemônicos pode ser uma saída para posicionar-se a partir de uma escuta situada, especialmente no trabalho clínico com multidões de minorias, pois tal articulação pode vir a auxiliar a compreender os respectivos contextos sociais causadores de sofrimento psíquico.