Considerações acerca do narcisismo e suas articulações com o gozo na relação social capitalista
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5739Resumo
Freud situou o narcisismo como um passo importante da constituição psíquica para a formação do Eu e suas identificações. Partindo dessas coordenadas, Lacan investigou a lógica especular, dando ênfase ao campo do olhar, e concluiu que a agressividade direcionada ao outro é correlata da gramática narcísica. Ambas as formulações evidenciam que, ao operar no sentido de instauração de um sujeito, a passagem narcísica da estruturação psíquica não exclui efeitos nas tramas da relação com o outro, o que interfere também na relação discursiva que organiza a polis. Partindo de experiências da escuta e do olhar, pesquisamos alguns elementos de nosso laço social contemporâneo a partir do recolhimento e registro de cenas da polis. No percurso metodológico da produção de narrativas escritas de cenas do cotidiano, mediado pela leitura-escuta em alteridade constituída pelo grupo de pesquisa (Iribarry, 2003), acabamos testemunhando insígnias do campo narcísico no laço social. Também nos confrontamos com a insistência significante dos restos da colonialidade que apontaram para o gozo racista que marca corpos racializados, promovendo a manutenção de estruturas de poder. Por fim, tais achados apontaram para o fato de que a instrumentalização social do gozo anda de mãos dadas com a instrumentalização social do ódio e da (in)diferença.