As manifestações agressivas ligadas às pulsões sexuais na primeira dualidade pulsional freudiana
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5757Resumo
Este artigo investiga as manifestações agressivas e hostis vinculadas às pulsões sexuais na primeira dualidade pulsional freudiana (1900–1920), período que antecede a reformulação teórica apresentada em Além do princípio do prazer (1920/2020). A metodologia adotada consiste predominantemente na análise estrutural de textos, com o objetivo de circunscrever o desenvolvimento interno dos conceitos ao longo das obras freudianas. A partir desse procedimento, são examinados os seguintes fenômenos: complexo de Édipo, pulsão de apoderamento, fases oral, fase sádico-anal, ambivalência afetiva, sadismo, masoquismo e fantasias de surra. A investigação concentra tanto na evolução conceitual quanto nas inconsistências teóricas identificadas. A análise evidencia que, entre 1910 e 1914, Freud ampliou significativamente suas hipóteses sobre a agressividade com a introdução da teoria do narcisismo, ao sustentar que as pulsões sexuais se apoiam nas pulsões do Eu para se desenvolver, durante a fase narcísica, dando origem a impulsos hostis e agressivos na sexualidade sem a presença de desprazer. Contudo, identificam-se limitações explicativas relevantes: a impossibilidade de conciliar o sadismo com a fase narcísica, uma vez que comportamentos sádicos se dirigem desde o início ao mundo externo; a ausência, no sadismo infantil, do objetivo de causar dor, característica central da perversão sádica adulta; e a dificuldade de compreender os desejos parricidas e homicidas presentes na ambivalência afetiva apenas com base nas pulsões do Eu, uma vez que tais desejos ultrapassam a lógica da autopreservação. Essas inconsistências indicam que a primeira dualidade pulsional permite compreender a agressividade apenas quando articulada ao erotismo, ao princípio de prazer ou à autopreservação, revelando-se insuficiente para concebê-la como um fenômeno autônomo e apontando, assim, para a necessidade da reformulação teórica posterior.