Coprodução de memória do racismo na conjugalidade inter-racial
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5759Resumo
A história racial brasileira é constituída pelo silenciamento e negação da violência racial, gerando um trauma que se perpetua no campo social, subjetivo e relacional. Este artigo é um estudo teórico de metodologia bibliográfica que tem como objetivo discutir os conceitos freudianos de representação e de memória, lançando luz sobre a possibilidade de legitimação e produção de memória do racismo a partir da conjugalidade inter-racial branco-negro. Consideramos que a negação do racismo brasileiro por meio da construção do mito da democracia racial criou um desmentido social que perpetua o efeito traumático do racismo nas subjetividades, podendo ser transmitido intersubjetivamente no espaço da relação conjugal. Argumentamos que a possibilidade de dar lugar às questões raciais na conjugalidade inter-racial possibilita a elaboração desses conteúdos, evidenciando a função criativa e transformativa da conjugalidade. Assim, a relação conjugal inter-racial torna-se espaço de coprodução de memória sobre racismo e sobre experiências dolorosas ligadas à raça.