Mal-estar, identitarismo e capital: qual a função do psicanalista no laço social?
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5766Resumo
Este artigo visa discutir a função do psicanalista diante dos impasses contemporâneos explorados pelos movimentos identitários. Partindo de cenas atuais, articula-se o conceito freudiano de mal-estar à teoria dos discursos de Lacan. Utiliza-se como metodologia a pesquisa psicanalítica articulando clínica, teoria e cultura, por meio do diálogo entre psicanálise, filosofia e os estudos decoloniais. Depura-se, desse movimento, que o recurso à teoria dos quatro discursos, somado ao discurso do capitalista, ofertou um ponto de apoio que possibilitou interrogar as razões que encaminham parte do debate progressista, marcadamente aquele sustentado pelos movimentos identitários, a uma alienação em relação ao risco de estes propagarem aquilo que objetivam combater. Ao afirmar o lugar ético da escuta e da divisão subjetiva, defende-se uma prática que resista à captura mercadológica da diferença e à reificação das identidades, posicionando a psicanálise como dispositivo de subversão e de reinvenção do laço social.