Direções de construção metodológica para as pesquisas em psicanálise: o problema da colonização de outros campos do saber
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.6356Resumo
Através da problematização da “outrificação” como estratégia de dominação e exploração característica do sistema capitalista, destaca-se como a própria ciência participa dessa lógica ao produzir sujeitos subalternizados e objetificados, colocados na posição de objetos a serem descritos e analisados por um sujeito suposto neutro e universal. Quando inserida no campo científico e universitário, a psicanálise, assim como outras áreas do conhecimento, opera em meio a disputas epistemológicas que determinam o que é reconhecido como saber legítimo e verdadeiro, reproduzindo, em certa medida, os mecanismos de exploração, expropriação e objetificação próprios do capitalismo. Embora a ética psicanalítica seja marcada pela resistência a esses processos, na disputa narrativa ela pode incorrer em formas de manutenção de poder. A epistemologia feminista pode evidenciar pontos de tensão para a construção da metodologia nas pesquisas em psicanálise na universidade. Como forma de problematizar essa questão, foram propostas, neste artigo, associações imagéticas, a fim de evidenciar tendências metodológicas de pesquisas, como “pesquisas-ilha”, “pesquisas-servis”, “pesquisas-mestre” e “pesquisas-encontro”. Esta última, inspirada na proposta de uma ética relacional, aponta para uma posição não colonizadora nas pesquisas entre áreas distintas. Assim, entendemos a construção metodológica inspirada na construção do caso clínico como uma direção para as metodologias em psicanálise implicada que resistem à tendência colonizadora.