Da metáfora à subversão do Nome-do-Pai: A relação entre a lei e o desejo na teoria de Lacan

André Fernando Gil Alcon Cabral

Resumo


Este texto explora, na obra de Lacan, os inúmeros desdobramentos do conceito de Nome-do-Pai. Primeiramente, retomamos o conceito de metáfora paterna para demonstrar que essa operação produz a declinação de das Ding à dignidade de um objeto empírico, o que pode ser compreendido como uma saturação da falta transcendente pela falta de um objeto fenomênico. Isso porque a centelha criadora da metáfora permite, além de engendrar um novo sentido na cadeia significante, produzir, igualmente, uma inversão do emprego do termo de sublimação. Diante da sutura da falta transcendente pelo objeto empírico, foi preciso ir além das operações de metáfora e metonímia, o que conduziu o psicanalista a ressignificar a função do pai. A partir da subversão do significante, o Nome-do-Pai permite que se reconheça o vazio de das Ding na opacidade de sua lei. Assim, a verdadeira função do pai deve corresponder à união entre a lei e o desejo puro. E mais, com a invenção do objeto a, constata-se que o pai se torna não apenas um significante capaz de reconhecer o desejo puro no interior da lei, mas também um operador necessário para se produzir a elevação do objeto empírico à dignidade da Coisa.


Palavras-chave


Nome-do-Pai; das Ding; objeto a; metáfora paterna.

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