O sujeito lacaniano entre o desejo e o gozo

Isaias Gonçalves Ferreira

Resumo


O sujeito enquanto categoria psicanalítica representa no ensino lacaniano o resultado de uma intersecção entre psicanálise e filosofia, assim como sua teoria do desejo guarda uma característica privilegiada da incursão psicanalítica (clínico-teórica) no campo filosófico, especificamente na dialética hegeliana do reconhecimento. Nota-se, com isso, como a tradição da doutrina lacaniana sobre a conceitualização do sujeito, atravessa influências filosóficas que vão de Descartes, passando por Kant e Hegel, até chegar em Heidegger, o que evidencia, de forma decisiva, que Lacan entrou no debate das luzes pela porta dos fundos. Com efeito, seu gesto subversivo consistiu em considerar que o sujeito freudiano é o sujeito cartesiano tomado pelo avesso, ou por assim dizer, dividido e mutilado entre a cadeia dos enunciados (redutível ao sentido) e a cadeia da enunciação (aberta ao nonsense). Assim, esse sujeito dividido pela linguagem desponta como produto do simbólico – o que formata o imaginário estruturando a realidade –, mantendo, desse modo, uma relação êxtima com o gozo que incide no corpo, na medida em que pela repetição e insistência surge como uma resposta do Real. 

 


Palavras-chave


Sujeito lacaniano, teoria do desejo, campo do gozo, clínica psicanalítica, filosofia.

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