Fundamentação científica da psicanálise e os modelos de explicação em ciência

Rondineli Bezerra Mariano

Resumo


Freud ao longo de toda a sua obra manteve constante a posição de que a psicanálise era uma ciência natural. Apesar desse explícito posicionamento de Freud, tanto a status científico da psicanálise foi rejeitado por certa tradição em filosofia da ciência como a interpretação naturalista da psicanálise é negligenciada por muitas escolas pós-freudianas. Este artigo visa discutir o problema da cientificidade da psicanálise partindo da crítica popperiana que a considera como um exemplo de pseudociência contrastando com uma interpretação naturalista que aceita e defende a psicanálise como uma legítima ciência natural. Para Popper os enunciados teóricos da psicanálise não são científicos porque não podem ser falsificados quando submetidos a testes empíricos. No entanto, a filosofia da ciência popperiana pressupõe o modelo de explicação nomológico-dedutivo que não é o único possível em ciência. Algumas ciências naturais como a biologia evolutiva utilizam explicação no formato de narrativas históricas que reconstroem as causas que tornaram possível certos eventos que são impossíveis de serem explicados por meio de leis. Defende-se que apesar de explicações hipotéticas-dedutivas não ser possível em psicanálise, é possível explicações do tipo histórico-narrativas, que partem do fenômeno psíquico a ser explicado e reconstroem historicamente o conjunto de causas que o tornaram possível. A partir do esclarecimento desses modelos de explicação em ciência, pode-se compreender a psicanálise como uma ciência natural.


Palavras-chave


Psicanálise; Naturalismo; Pseudociência; Explicação científica.

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