“A perfeição pertence às coisas que se narram, não às que se vivem”: elaboração e sublimação em Primo Levi

Maria Nadeje Pereira Barbosa, Daniel Kupermann

Resumo


O presente artigo tem como objetivo analisar o trabalho elaborador e os processos sublimatórios na vida e na obra testemunhal de Primo Levi. Parte-se da ideia segundo a qual a atividade de escrita de Primo Levi deve ser inserida com sua dimensão histórico-vivencial, na qual o respeito e a dignidade em relação ao outro foram um dos elementos que possibilitaram a elaboração do traumatismo, o cumprimento do destino pulsional da sublimação e uma intensificação do trabalho de pensamento. Partindo de uma abordagem transdisciplinar entre Psicanálise e teor testemunhal, busca-se demonstrar que a própria atividade ficcional na obra de Primo Levi consiste também num testemunho sobre as atrocidades vivenciadas em Auschwitz. O teor testemunhal de Primo Levi assume o lugar de elemento terceiro, no qual será o componente de reconhecimento e de compartilhamento da vivência concentracionária nos diversos momentos temporais do pós-guerra que balizará o reajuste de sua economia pulsional. Para concluir, busca-se redimensionar a vivência específica de Primo Levi e suas categorias subjacentes a fenômenos catastróficos de nosso tempo e que nos convocam em direção a uma clínica do cuidado no sentido de possibilitar que a linguagem atue sobre o discurso catastrófico, sem borrar sua dimensão factual.


Palavras-chave


Sublimação. Elaboração. Primo Levi. Shoah. Testemunho.

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