Psicanálise e Ciência: problematização da Bioética

Tiago Iwasawa Neves, Ana Margareth Steinmuller Pimentel

Resumo


O objetivo geral do artigo é promover, senão iniciar, uma discussão sobre os obstáculos e impasses conceituais que podem colocar em xeque a já consagrada legitimidade da Bioética em nossos dias. No âmbito de seu enunciado, a Bioética é definida como um saber que visa a determinar os riscos e os possíveis danos que a ciência pode provocar em nossa compreensão da vida e da dignidade ética, medindo e restringindo, assim, os passos que serão dados pelas pesquisas biomédicas e biotecnológicas. Esse enunciado possibilita a construção do objetivo específico do artigo, que é problematizar os conceitos que sustentam essa definição, a saber: ética, natureza humana e ciência. O trabalho encontra-se dividido em duas partes. Na primeira seção, demonstraremos que as noções de ética e natureza humana presentes no discurso dos bioeticistas contemporâneos são falsas e inconsistentes, respectivamente. A ética é falsificada nesse discurso quando é reduzida a um mero problema de generalização de valores morais e verdades jurídicas. Já a noção de natureza humana é inconsistente, uma vez que a definem conceitualmente como uma necessidade que sempre esteve presente no mundo, e não como um conceito historicamente determinado, que, por definição, estaria sempre atrelado às contingências que tornam qualquer mundo humano possível. Na segunda seção, apresentaremos o sentido da seguinte tese: a relação que a psicanálise mantém com a ciência é de compatibilidade lógica. A partir das consequências extraídas dessa tese, o passo seguinte será questionar a legitimidade de uma intervenção ética no domínio científico. 

Palavras-chave


Bioética; Psicanálise; Ciência; Ética; Natureza Humana.

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