Psicanálise, decolonização e interseccionalidade: contribuições de Frantz Fanon

Autores

DOI:

https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5137

Resumo

A subjetividade é um elemento indispensável na perpetuação da lógica colonial. Não obstante, é no campo das ciências socais, e não da psicanálise, que encontramos o maior volume de trabalhos que interrogam as consequências da colonização sobre as subjetividades. É no enfrentamento dessa incongruência que nos aproximamos de Franz Fanon e, a partir dele, da categoria de interseccionalidade. A despeito de não figurar como conceito psicanalítico, compreendemos essa categoria como uma ferramenta que faz estreitar os laços entre a psicanálise e uma crítica colonial. O objetivo de nosso trabalho é demarcar como o paradigma interseccional pode funcionar em aliança com o discurso psicanalítico, ao indicar os limites das categorias abstratas no trato com as subjetividades. Ao mesmo tempo, esse paradigma instrumentaliza na direção da produção de uma sensibilidade que torna visível a alienação racial que a colonização impõe aos corpos. Destarte, o olhar decolonial desnaturaliza a incidência sistêmica da dominação, fazendo surgir a dimensão historicizada das formas de subjetivação. Assim, em um primeiro momento, destaca-se o embate entre Franz Fanon e Octave Mannoni, que, ao enfatizar a importância do sujeito e da subjetividade na crítica colonial, estabeleceram a psicanálise como um dispositivo relevante para a tarefa decolonial. No segundo momento, buscamos fazer avançar as considerações sobre a subjetividade e os esforços decoloniais. A colonização opera um corte no registro da existência, inaugurando a oposição entre seres existentes e aqueles tidos como semiexistentes. Finalmente, abordamos como a interseccionalidade pode tornar translucida a subjetividade, o sujeito inconsciente, constituído e marcado em suas condições de simbolização pela incidência diferencial do gênero, da raça e da classe.

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Biografia do Autor

Luciano Dias, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGPSI/UFRRJ). Psicanalista, Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos – Rio de Janeiro (EBEP-Rio). Este artigo foi realizado com apoio do Programa Nacional de Pós-doutorado (PND/Capes). 

Fernanda Canavêz, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Professora do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IP/UFRJ) e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGPSI/UFRRJ). Coordenadora do Marginália Laboratório – UFRJ. 

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Publicado

16-09-2026

Como Citar

Dias, L., & Canavêz, F. (2026). Psicanálise, decolonização e interseccionalidade: contribuições de Frantz Fanon. Analytica: Revista De Psicanálise, 15(29). https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5137