O normal e o patológico: pulsão e anomia na biologia de Freud e Canguilhem
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5656Resumo
Este artigo desenvolve uma análise teórico-conceitual acerca das noções de normal e patológico em Sigmund Freud e Georges Canguilhem. Investigamos de que modo as ciências biológicas, presentes nas obras desses dois autores, permitem ler e interpretar tais noções. A interpretação das identidades anatomopatológica e fisiopatológica possibilitou compreender as dimensões da psicopatologia a partir de diferenças quantitativas, que pressupõem certa inércia da normatividade baseada em um realismo anatômico. Para Freud, essa leitura foi incorporada, sobretudo, pela influência da psicofísica de Fechner e da biologia mecanicista de sua época. Embora o psicanalista inicialmente se apoie nessa perspectiva, observa-se, posteriormente, um deslocamento para uma biologia de cunho evolucionista. Na realidade, ao recuperar a biologia evolucionista em Freud, buscamos fazê-lo por meio do diálogo com a biologia vitalista de Canguilhem, o que nos permite distanciar do realismo anatômico. A partir de uma revisão crítica e interpretativa das noções de biologia mecanicista e evolucionista na obra de Freud, bem como da noção de biologia vitalista em Canguilhem, propõe-se, como objetivo central deste artigo, uma reflexão sobre a interpretação das noções de anomia e pulsão, de modo a superar a rigidez anatômica e fisiológica tradicional e a reinterpretar as noções de normal e patológico. Concluímos que, por meio da interpretação vitalista da biologia em Canguilhem, a pulsão de morte permite pressupor a mobilidade normativa do normal e do patológico.