Desdobramentos da carta/letra e seu efeito de feminização em Jacques Lacan
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v15i29.5701Resumo
O presente artigo tem como objetivo compor considerações acerca da construção do conceito da letra durante o ensino lacaniano. A partir de O seminário da carta roubada e Lituraterra, foram tecidas perspectivas que ilustram ao leitor os momentos no qual Lacan se esforça para desenvolver a noção de letra e como esta se diferencia, a partir de uma função, do significante. Diante da complexidade do tema, recorremos à música, uma vez que a arte, muito antes de Lacan surgir como um expoente nome na teoria psicanalítica, usa da letra para a produção de um efeito nomeado posteriormente de feminizante pelo psicanalista. Por fim, abordamos esse efeito que, para um leitor desatento, poderia passar despercebido em meio a outras relações entre a psicanálise e a escrita. Quando a carta opera não pelo sentido, mas pela opacidade do seu conteúdo nunca revelado, os sujeitos que a detêm são deslocados a uma posição não-toda, de silêncio. Tal efeito de feminização não se reduz ao feminino como atributo cultural, todavia refere-se ao modo como a letra produz um efeito de indeterminação e aproxima o sujeito de um gozo que escapa a qualquer captura de sentido.