Do homem ao objeto: um percurso pela noção de estilo em Jacques Lacan

Marinela Marques Porto, Marcus André Vieira

Resumo


Este artigo tem o objetivo de analisar a noção de estilo, tal como abordada por Jacques Lacan em 1966, no texto de abertura da coletânea dos seus Escritos. Nesse pequeno texto, Lacan conduz o leitor por uma série de proposições acerca do estilo, partindo de sua acepção clássica, cristalizada pelo pensamento de Buffon, onde o estilo é o próprio homem, depois passando pela ideia do estilo como endereçamento e, finalmente, chegando à formulação segundo a qual o estilo é o objeto. Buscaremos percorrer esses passos com Lacan, no intuito de melhor compreender os desdobramentos pelos quais nos guia o psicanalista francês. Para tanto, será fundamental analisarmos os principais desenvolvimentos dessa complexa noção em outros campos, tais como a filosofia e a literatura, desde seu sentido clássico até a acepção moderna de estilo, que vigorava na década de 1960, quando Lacan publica os Escritos. Tal investigação nos fornecerá uma base teórica para abordarmos a especificidade do estilo no ensino de Lacan. Sua especificidade parece se tornar evidente quando, ao final de seu texto de Abertura, o psicanalista faz o estilo ressoar no campo do objeto próprio à psicanálise: o objeto a.


Palavras-chave


Estilo; psicanálise; literatura; sujeito; objeto a.

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